A 1ª Mostra de Cinema Chica Pelega – Contestado em Foco marcou o nascimento do projeto em 23 de agosto de 2021, no município de Joaçaba, durante o feriado municipal. Realizada no Cine Gracher Havan, a mostra surgiu com o propósito de rememorar a história e a cultura do território do Contestado por meio do cinema, consolidando-se desde sua origem como um espaço de reflexão, memória e formação de público.
Inspirada na figura histórica de Chica Pelega — cabocla que resistiu às tropas militares no final da Guerra do Contestado (1912–1916) — a mostra assumiu como missão valorizar narrativas locais, tensionar versões oficiais da história e fortalecer a identidade cultural da região.
Com curadoria de Rudolfo Auffinger, a programação reuniu nove obras audiovisuais, organizadas em três eixos temáticos que estruturaram conceitualmente a edição:
Filhos da Terra — voltada às raízes indígenas e caboclas do território:
Causos e Contos — dedicada às narrativas populares e personagens do imaginário regional:
Nossa Memória — eixo voltado à reflexão histórica e crítica das imagens e discursos sobre o conflito:
As sessões ocorreram simultaneamente em três salas, com exibições às 11h e às 13h30, sempre seguidas de debate. Como ação formativa complementar, foi realizado um encontro prévio online com realizadores, transmitido pelo canal da Pupilo TV no YouTube, ampliando o alcance do evento para além da sala de cinema.
Desde sua primeira edição, a Mostra Chica Pelega estabeleceu diretrizes claras de democratização de acesso e responsabilidade social. Os ingressos tiveram valor popular (R$ 10,00) e a entrada foi vinculada à doação de 1kg de alimento não perecível, destinado a instituições do município.
Realizada ainda sob protocolos sanitários, com ocupação reduzida e medidas de segurança, a mostra reafirmou o papel do cinema como espaço seguro de encontro, reflexão e reconstrução simbólica do território.
A edição inaugural consolidou as bases conceituais do projeto:
A partir de 2021, a Mostra de Cinema Chica Pelega passou a se afirmar como uma iniciativa estruturante no calendário cultural do Meio-Oeste catarinense, estabelecendo uma trajetória de continuidade, expansão territorial e aprofundamento curatorial nos anos seguintes.