Para comemorar 104 anos de Joaçaba, a Mostra Chica Pelega – Contestado em Foco, reúne filmes divididos em 3 categorias: Filhos da Terra, Nossa Memória e Causos e Contos

O título da mostra é uma homenagem a Francisca Roberta, a Chica Pelega, nascida em Limeira, atual Joaçaba. Chica foi uma líder e combatente da Guerra do Contestado, uma mistura de lenda e história e um sinônimo de força.

A 1ª Mostra de Cinema Chica Pelega acontece no dia 23 de agosto de 2021 no Cine Gracher para comemorar o aniversário de 104 anos da cidade. Alguns destaques da programação são os longas PSW – uma crônica subversiva, de 1987, com Antônio Fagundes e direção de Paulo Halm e Luiz Arnaldo Dias Campos. Terra Cabocla, de Marcia Paraiso e Ralf Tambke, da Plural Filmes, que investiga a Guerra do Contestado do ponto de vista do povo caboclo, em especial o Grupo Cultural Renascença Cabocla de Fraiburgo.

Entre os curtas, três são dirigidos por joaçabenses, são eles: Irani (1983) de Rogério Sganzerla, Olhar Contestado (2012) dirigido por Fabianne Batista Balvedi que cria movimento para as fotos de Claro Jansson, fotógrafo contratado pela Madedeira Lumber e Larfiagem (2017) de Gabi Bresola que conta a história da grinfia ou hervalês, criptoleto criado por crianças e adolescentes que trabalhavam informalmente na estação ferroviária de Herval d’Oeste (hoje desativada) e inventaram uma língua própria cujas expressões são faladas até hoje.

Sobre as sessões:

Sessão: Filhos da Terra

Para não esquecer dos povos que vivem e resistem a nossa terra. 

Kiki – O Ritual da Resistência Kaingang

2014. 34 minutos. Documentário. Livre. Direção de Cassemiro Vitorino e Ilka Goldschmidt.

O mais importante ritual da etnia indígena kaingang, o Kiki, realizado em 2011 na Aldeia Condá, no oeste de Santa Catarina (Brasil). Os preparativos na mata e na aldeia. A expectativa dos mais velhos que queriam vivenciar um ritual completo, como há muito não era feito, e dos jovens que nunca haviam participado do Kiki. A construção das casas na mata, a chegada dos pajés, a preparação da bebida, a pintura das marcas nos rostos definindo as duas metades: kamé e kainru-kré. A realização do ritual foi uma tentativa de revitalizar e fortalecer o dualismo Kaingang.

Terra Cabocla

2015. 82 minutos. Documentário. Livre. Direção de Marcia Paraiso e Ralf Tambke.

Passados cem anos de uma guerra de extermínio da população tradicional da região do Planalto Catarinense – a Guerra do Contestado – a beleza, a intensidade e a fé que se traduz na força de resistência cultural do povo Caboclo, o representante original da população de Santa Catarina. Uma história real que não vai além dos 2 parágrafos nos livros didáticos e que continua e permanece silenciada passado um século de genocídio.

Sessão: Nossa Memória

Para nunca esquecermos quem somos.

Irani

1983. 8 minutos. Documentário. Livre. Direção de Rogério Sganzerla.

O cineasta, com a câmera na mão, se mistura aos personagens da festa que marca o aniversário da Guerra do Contestado, na cidade de Irani. Uma câmera que se aproxima de frente aos cavalos, que imprime movimentos circulares, estabelece uma gramática que emerge a partir da encenação que a população da cidade constrói. O filme é a sua maneira de olhar para o seu passado a fim de constituir uma história que lhe represente.

Olhar Contestado

2012. 15 minutos. Documentário. Livre. Direção de Fabianne Batista Balvedi.

A animação de câmeras virtuais sobre registros fotográficos, ilustrações e desenhos rotoscopiados sobre documentários da época, fornecem os elementos visuais necessários para a reconstituição minuciosa dos locais, personagens e eventos da Guerra do Contestado. As principais fotografias utilizadas são de Claro Jansson, fotógrafo contratado pela Madeireira Lumber, que registrou passagens fundamentais daquela que ficou conhecida como “Guerra Santa do Sul”. “O Contestado ainda é uma guerra cheia de interrogações, cheia de dúvidas, do que realmente aconteceu.

PSW – uma crônica subversiva

1987. 50 minutos. Ficção. 14 anos. Direção de Paulo Halm e Luiz Arnaldo Dias Campos.

Brasil, 1973.  Durante uma viagem de trem, o ex-deputado cassado Paulo Stuart Wright relembra sua trajetória política, de militante cristão em Santa Catarina a liderança de uma organização de esquerda que combatia a ditadura militar, sem saber que aquela seria a última vez que seria visto vivo. Paulo Wright “desapareceu” logo após essa viagem. Testemunhos dizem que ele morreu, nas dependências do Doi-Codi, vítima de torturas comandadas pelo major Brilhante Ustra.

Sessão: Causos e Contos

Para não ter medo de ser o que se é.

Larfiagem

2017. 26 minutos. Documentário. Livre. Direção de Gabi Bresola.

Engraxates, carregadores de malas e outras crianças de 7 a 15 anos de idade conviviam com viajantes da estação ferroviária de Herval d’Oeste no anos de 1950. Para sobreviver, comprar gibis e ir ao cinema, driblar fiscais, policiais e até os próprios pais, inventaram uma língua própria. Hoje, décadas depois, a Larfiagem aparece como memória de seus últimos falantes, agora adultos, mas que ainda conhecem, ensinam e decifram os segredos de seus substantivos e pronomes.

Primeiro Assalto ao Trem Pagador

2013. 56 minutos. Docudrama. Livre. Direção de Ernoy Luiz Mattielo.

Entre divergências dos contos populares e a oficialização dos fatos, a história que se revive, conta que no domingo, 24 de outubro de 1909, na Região do Contestado – SC – Brasil, local onde mais tarde se originaria o município de Pinheiro Preto, José Antônio de Oliveira, um ex-combatente da Revolução Federalista, então empreiteiro, construtor da Ferrovia do Contestado, entraria para a história como: Executor do 1 º Assalto ao Trem Pagador.