Cidade: Joaçaba
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Sessão do eixo Nossa Memória — “para nunca esquecermos quem somos”. Na Sala 03 do Cine Gracher, em Joaçaba, às 13h30 de 23 de agosto de 2021, com Irani (8 min) e Olhar Contestado (15 min). Debate com mediação de Fabianne Balvedi, diretora de Olhar Contestado.
Diretora de Olhar Contestado. Cineasta, pesquisadora de mídias livres e aprendiz de permacultura; arquiteta, especialista em computação gráfica e mestre em artes visuais.
O cineasta, com a câmera na mão, se mistura aos personagens da festa que marca o aniversário da Guerra do Contestado, na cidade de Irani. Uma câmera que se aproxima de frente aos cavalos, que imprime movimentos circulares, estabelece uma gramática que emerge a partir da encenação que a população da cidade constrói. O filme é a sua maneira de olhar para o seu passado a fim de constituir uma história que lhe represente.
O documentário aborda um episódio acontecido há quase 15 anos após o término da Guerra de Canudos. Com proporções e significado semelhantes, a Guerra do Contestado conflagrou-se numa região do sul do Brasil cuja posse era disputada pelos estados do Paraná e Santa Catarina. Numa extensão de terras equivalente ao Estado de Alagoas (25.000 km2), durante mais de quatro anos, entre 1912 e 1916, uma população estimada em 20.000 sertanejos enfrentou as forças do governo e do coronelismo predominante na região, num conflito que chegou a envolver 80% do Exército Brasileiro. No término do conflito, Paraná e Santa Catarina assinaram um acordo estabelecendo definitivamente suas divisas. E foi no apogeu de tais lutas que pela primeira vez na história do Brasil as massas camponesas manifestaram a clara consciência da necessidade de garantir seu “direito de terras”. A animação de câmeras virtuais sobre registros fotográficos, ilustrações e desenhos rotoscopiados sobre documentários da época fornecem os elementos visuais necessários para a reconstituição minuciosa dos locais, personagens e eventos do conflito. As principais fotografias utilizadas são de Claro Jansson, fotógrafo contratado pela Madeireira Lumber, que registrou passagens fundamentais daquela que ficou conhecida como “Guerra Santa do Sul”.