Cidade: Curitibanos
📍 Ver toda a programação em Cine Lúmine — Curitibanos →
Em Curitibanos, o Cine Lúmine recebeu por dois dias as escolas da região. Os curtas Kiki – O Ritual da Resistência Kaingang, Irani, Olhar Contestado e Larfiagem abriram debates sobre a presença indígena, a história do Contestado e a identidade do povo caboclo, num diálogo direto entre cinema e sala de aula. Passaram pelas sessões 513 estudantes de 9 escolas.
Caboclo, educador e comunicador popular; da APAFEC e do Fórum Regional em Defesa da Civilização e da Cultura Cabocla do Contestado. Mediou as conversas em todas as cidades do circuito.
O mais importante ritual da etnia indígena kaingang, o Kiki, realizado em 2011 na Aldeia Condá, no oeste de Santa Catarina (Brasil). Os preparativos na mata e na aldeia. A expectativa dos mais velhos que queriam vivenciar um ritual completo, como há muito não era feito, e dos jovens que nunca haviam participado do Kiki. A construção das casas na mata, a chegada dos pajés, a preparação da bebida, a pintura das marcas nos rostos definindo as duas metades: kamé e kainru-kré. A realização do ritual foi uma tentativa de revitalizar e fortalecer o dualismo Kaingang.
O cineasta, com a câmera na mão, se mistura aos personagens da festa que marca o aniversário da Guerra do Contestado, na cidade de Irani. Uma câmera que se aproxima de frente aos cavalos, que imprime movimentos circulares, estabelece uma gramática que emerge a partir da encenação que a população da cidade constrói. O filme é a sua maneira de olhar para o seu passado a fim de constituir uma história que lhe represente.
O documentário aborda um episódio acontecido há quase 15 anos após o término da Guerra de Canudos. Com proporções e significado semelhantes, a Guerra do Contestado conflagrou-se numa região do sul do Brasil cuja posse era disputada pelos estados do Paraná e Santa Catarina. Numa extensão de terras equivalente ao Estado de Alagoas (25.000 km2), durante mais de quatro anos, entre 1912 e 1916, uma população estimada em 20.000 sertanejos enfrentou as forças do governo e do coronelismo predominante na região, num conflito que chegou a envolver 80% do Exército Brasileiro. No término do conflito, Paraná e Santa Catarina assinaram um acordo estabelecendo definitivamente suas divisas. E foi no apogeu de tais lutas que pela primeira vez na história do Brasil as massas camponesas manifestaram a clara consciência da necessidade de garantir seu “direito de terras”. A animação de câmeras virtuais sobre registros fotográficos, ilustrações e desenhos rotoscopiados sobre documentários da época fornecem os elementos visuais necessários para a reconstituição minuciosa dos locais, personagens e eventos do conflito. As principais fotografias utilizadas são de Claro Jansson, fotógrafo contratado pela Madeireira Lumber, que registrou passagens fundamentais daquela que ficou conhecida como “Guerra Santa do Sul”.
Engraxates, carregadores de malas e outras crianças de 7 a 15 anos de idade conviviam com viajantes da estação ferroviária de Herval d’Oeste no anos de 1950. Para sobreviver, comprar gibis e ir ao cinema, driblar fiscais, policiais e até os próprios pais, inventaram uma língua própria. Hoje, décadas depois, a Larfiagem aparece como memória de seus últimos falantes, agora adultos, mas que ainda conhecem, ensinam e decifram os segredos de seus substantivos e pronomes.