Em julho de 2023, a 3ª Mostra de Cinema Chica Pelega percorreu o Meio-Oeste catarinense com uma edição inteira dedicada à memória quilombola — da oficina “O minuto que foi”, feita pelos próprios moradores dos quilombos, aos registros da Comunidade Remanescente da Invernada dos Negros. Antes de chegar ao seu destino simbólico, a mostra passou pelas escolas: foi nelas, e nos seus estudantes, que o cinema encontrou plateia. Um pouco de cada casa que abriu as portas nessa jornada — e o link para a sessão que aconteceu em cada uma, para você saber o que foi exibido.
Fraiburgo — 7 de julho
EMEF Professor Eurico Pinz. A jornada presencial começou no bairro São Miguel, na escola municipal que atende cerca de 215 estudantes nos anos finais do ensino fundamental, com índice de aprovação em torno de 96%. Foi ali, na sessão de estreia da edição, que os três curtas nascidos na oficina dos quilombos apareceram pela primeira vez diante do público — ao lado de obras sobre memória e resistência negra.
Capinzal — 10 e 11 de julho
Em Capinzal, a mostra entrou de vez para dentro da escola: o auditório de uma escola recebeu os estudantes de outras três, numa sessão feita para as escolas, ao longo de uma manhã e uma tarde de cinema para crianças e jovens.
Escola Municipal Viver e Conhecer. Anfitriã das sessões, é uma das maiores da cidade: cerca de 810 alunos e 85 profissionais, da educação infantil ao 9º ano. Com quase quatro décadas de história — celebrou 39 anos em 2025 —, coleciona bons resultados em olimpíadas de conhecimento, como a OBMEP, e emprestou seu auditório para transformar a manhã escolar em sessão de cinema.
Escola Municipal Dr. Vilson Pedro Kleinubing. No loteamento Parizotto, bairro São Cristóvão, atende cerca de 570 estudantes da educação infantil ao ensino fundamental, com um quadro de aproximadamente 60 profissionais. Com mais de duas décadas de história, leva o nome de Vilson Pedro Kleinübing, ex-governador de Santa Catarina.
Escola Municipal Ivo Silveira. Escola do campo no distrito de Alto Alegre, leva a educação municipal para a zona rural de Capinzal e homenageia outro ex-governador catarinense, Ivo Silveira.
Escola Municipal Ernesto Hachmann. Na comunidade rural de Barro Preto, a cerca de 20 km do centro, atende os anos finais do fundamental e reúne estudantes de várias localidades do interior — Engenho Novo, Vila União, Linha Pelizzaro, Linha Gramado e Barro Branco. O nome é uma homenagem ao morador que doou o terreno para a escola. Casa de projetos de mão na terra, mantém horta escolar e leva noções de educação financeira às crianças.
Monte Carlo — 12 de julho
EEBM Erci Dick. No bairro São Carlos, a escola municipal de ensino fundamental, apontada entre as mais bem avaliadas de Monte Carlo, recebeu uma sessão que cruzou a memória do Contestado com a história quilombola local — dos curtas da oficina às imagens de arquivo da Invernada dos Negros. A noite terminou em roda de conversa sobre memória, território e resistência.
Campos Novos — 13 e 14 de julho
CEJA, anexo à EEB Henrique Rupp Júnior. De volta a Campos Novos, o Centro de Educação de Jovens e Adultos — braço da escola estadual que atende cerca de 660 alunos no bairro Senhor Bom Jesus — recebeu uma sessão exclusiva para estudantes, articulando racismo, justiça e território a partir de obras como Pele Negra, Justiça Branca e do registro histórico da Invernada dos Negros.
Invernada dos Negros — Salão Pinheiro Chato. O encerramento aconteceu onde a edição tem raiz: dentro da Comunidade Remanescente do Quilombo Invernada dos Negros, uma das mais importantes de Santa Catarina. No Salão Pinheiro Chato, a maior seleção da mostra — sete filmes — foi exibida para a própria comunidade e convidados, seguida de roda de conversa. Não é uma escola, mas foi a maior sala de aula desta edição: o lugar onde a memória virou tela, e a tela, encontro.

A cada escola e a cada comunidade que abriu as portas, o nosso agradecimento. Aos professores, diretores, estudantes e às lideranças quilombolas: obrigado por transformarem o cinema em sala de aula e a memória do Contestado em encontro.
