A 4ª Mostra de Cinema Chica Pelega — a maior da história do projeto — encerrou sua edição de 2026 com uma cerimônia de premiação transmitida ao vivo. Contemplada pelo Prêmio Catarinense de Cinema (Lei Paulo Gustavo 2023, com recursos do Governo de Santa Catarina por meio da Fundação Catarinense de Cultura), a edição recebeu 2.393 filmes inscritos e selecionou 117 obras de 22 países e 13 estados, em 10 dias presenciais em Videira que reuniram 1.479 espectadores em 39 sessões — tornando-se, em número de filmes, a maior mostra de cinema já realizada em Santa Catarina.

Os prêmios foram distribuídos em seis categorias, cada uma com seu júri. Confira os vencedores e as justificativas:

Infâncias na Tela

Júri técnico: Daniel Aragão e Luiza Lins.

Vencedor — Menina de Asas. Para o júri, o filme “se destaca pela excelência artística e por fortalecer o sentido de pertencimento, investigando a imaginação e incentivando a leitura” — evidenciando “a potencialidade da literatura como forma de as crianças conhecerem o mundo a partir da criatividade e da inventividade”.

Menções honrosas — Restrito (Palestina), que “trata do direito de sonhar mesmo em meio a conflitos”, e Manity, que “aborda com delicadeza a pluralidade das masculinidades, a partir do sensível enfrentamento entre pai e filho”.

Pequenos Críticos

Nesta categoria, o júri foi formado pelas próprias crianças, de 3 a 17 anos, que elegeram seus filmes favoritos colando adesivos nos cartazes ao fim das sessões:

Mostra Contestado

Júri: a cineasta Márcia Paraíso e o historiador Víctor de Leonardo Figus.

Vencedor — Beira: além das margens do Rio Uruguai. Segundo o júri, a escolha se deu pela premissa — “acompanhar um balseiro de 89 anos percorrendo os 2.200 km do Rio Uruguai, entre Brasil, Argentina e Uruguai, e como sua história se liga à de vários personagens ao longo do caminho” — e pela “fotografia muito bonita, que nos leva junto nessa jornada”.

Menção honrosa — Pedaço de Chão, por “dar visibilidade à luta por terra na região do Contestado e voz a quatro lideranças de mulheres”.

Mostra Estudantil

Júri: Priscila Pacheco e Artur Peixer.

Vencedor — Deixa o PPG Voar. Na carta de justificativa, o júri reconheceu “uma obra de profunda relevância educativa, histórica e social”, que “não fala sobre o Morro do Papagaio, mas a partir dele”, convidando a enxergar o território “como espaço de produção de conhecimento, memória e criação”. Destacou “a autoria dos jovens realizadores, não apenas como técnica, mas como gesto político e poético” — “um gesto de afirmação das infâncias, dos sonhos e das potências que insistem em voar”.

Menção honrosa — A Menina Hip Hop, “projeto rico de cultura, identidade e sensibilidade”, que “com rima e gingado mostrou que rimar é coisa de menino e de menina, e que o rap conversa com qualquer idade”.

Mostra Catarinense

Júri: Edileusa Penha de Souza e Gabriel Borges.

Melhor curta — A Lua dos Beijos Silentes. Premiado “pela delicadeza com que acolhe o desejo de imaginar que outros mundos ainda podem florescer” e pela “potência do sonho e da imaginação, afirmando que a liberdade de criar resiste a toda forma de censura”.

Melhor longa — Irritante Prodígio. Reconhecido por “transformar memória em linguagem e vulnerabilidade em força criativa”, tensionando “os limites entre autobiografia, performance e testemunho”, num gesto de “coragem que incomoda e convoca o espectador”.

Menção honrosa — Maracatu Liberta, que “afirma a presença e a força da territorialidade negra, onde cultura, memória e comunidade se entrelaçam”, reconhecendo “a ancestralidade como fundamento de pertencimento e resistência”.

Migrações Contemporâneas

Curtas (Júri: Virna Paz e Cíntia Abitar) — Vencedor: Madre, “um curta belíssimo, intimista, com apuro cinematográfico”, que “traz a história de Ambar, uma mãe venezuelana que vem para o Brasil — um filme que fica na memória e no coração”.

Longas (Júri: Sofia Dávila e Igor Gama) — Vencedor: O Rancho da Goiabada, ou Pois é Meu Camarada, Fácil, Fácil Não é a Vida, “um filme que não tem medo”, que “alternando entre ficção, documentário e imagens de arquivo, constrói um personagem que reflete a essência do Brasil e das pessoas que o construíram, valorizando o trabalho”. Menção especial do júri: Um habitante e sua cidade, que “por meio da ausência e do silêncio retrata a vida de Usman, imigrante africano e muçulmano em Madri, questionando a igualdade racial e a integridade da vida humana”.

Reveja a cerimônia completa de premiação no canal da Pupilo TV no YouTube.