Um ano depois de estrear em Joaçaba, num único dia no Cine Gracher, a Mostra de Cinema Chica Pelega pegou a estrada. Em 2022, a 2ª edição — O Contestado em Foco — virou circuito: percorreu Campos Novos, Curitibanos e Caçador, nas salas do Cine Lúmine, e depois se estendeu a Timbó Grande e Fraiburgo. Todas cidades que foram cenário e centro de articulação da Guerra do Contestado (1912–1916).
O que mudou não foi só o mapa. O cinema virou sala de aula: nas sessões da manhã e da tarde, mais de 1.750 estudantes das redes municipal e estadual encheram as poltronas — só em Campos Novos foram mais de 700. À noite, as sessões abriram para a comunidade. Em todas elas, a exibição era só o começo: depois vinha a prosa. As conversas foram mediadas pelo caboclo, educador e comunicador popular Jilson Carlos Souza (APAFEC), que percorreu cidade por cidade puxando o debate sobre a história e a identidade do Contestado a partir dos filmes. Em Curitibanos, o público ainda teve a presença do historiador Paulo Pinheiro Machado (UFSC), autor de Lideranças do Contestado.
A seleção uniu memória e território: os curtas Kiki – O Ritual da Resistência Kaingang, Irani, Olhar Contestado e Larfiagem durante o dia; e os longas Terra Cabocla, Primeiro Assalto ao Trem Pagador e Memorável Trem de Ferro — este sobre os 100 anos da Ferrovia do Contestado — nas noites. Filmes feitos, em boa parte, por gente da própria região, para novas gerações se verem na tela e reconhecerem a sua história.
Da mostra de um dia ao circuito por cinco cidades: a Chica Pelega descobria, ali, a sua vocação de levar o Contestado à tela, perto de quem viveu essa história.
